Palestra “Cuidados Paliativos: Onde estamos? Para onde vamos?”– Com a Dra. Maria Eunice Ribeiro – Psicóloga.
A palestra conduzida pela Dra. Maria Eunice Ribeiro proporcionou um verdadeiro mergulho reflexivo e sensível no universo dos Cuidados Paliativos, abordando não apenas sua evolução histórica, mas, sobretudo, os desafios e caminhos para sua consolidação como direito humano básico. Com clareza e profundidade, a palestrante resgatou as contribuições fundamentais de Cicely Saunders, pioneira ao fundar, em 1967, o primeiro hospital dedicado ao cuidado integral do paciente e ao introduzir o conceito de “dor total”, compreendida em suas dimensões física, emocional, social e espiritual. Também destacou o legado de Elisabeth Kübler-Ross, que revolucionou a compreensão do processo de morrer ao trazer escuta, empatia e diálogo, eternizando as cinco fases do luto e humanizando a despedida de pacientes e famílias.
A partir do conceito definido pela Organização Mundial da Saúde, a Dra. Maria Eunice reforçou que os Cuidados Paliativos vão muito além do controle de sintomas, configurando-se como uma abordagem ativa, baseada em evidências, que promove qualidade de vida, respeita valores culturais, apoia famílias e cuidadores e reconhece a morte como parte natural da vida, sem antecipá-la ou adiá-la. Foram apresentados seus princípios fundamentais, ressaltando o cuidado integral, a comunicação eficaz, o trabalho multiprofissional e a aplicabilidade em todos os níveis de atenção à saúde.
No cenário brasileiro, a palestra contextualizou a trajetória dos Cuidados Paliativos no país, citando nomes e iniciativas que marcaram essa construção, como o protagonismo do Prof. Marco Tullio de Assis Figueiredo, reconhecido como pioneiro na educação em Cuidados Paliativos, e os avanços institucionais impulsionados por associações e movimentos nacionais. Ganhou destaque a criação da Política Nacional de Cuidados Paliativos, em 2024, como marco regulatório no SUS, bem como a homologação de diretrizes educacionais que apontam para a necessidade urgente de ampliar a formação profissional na área.
Ao discutir “onde estamos”, foram apresentados avanços importantes, como o crescimento de profissionais comprometidos com a humanização do cuidado e a implantação das primeiras equipes matriciais. Já ao refletir sobre “para onde vamos”, a palestrante reforçou que o futuro dos Cuidados Paliativos depende da integração de saberes, do fortalecimento das redes de apoio, do diálogo com gestores e de uma abordagem biográfica, afetiva e comunitária, reconhecendo cada paciente como sujeito de direitos e de história. A psicologia foi apresentada como pilar essencial nesse processo, atuando desde o luto antecipatório até o acompanhamento da família após o óbito, sempre em articulação com a equipe multiprofissional.
AGRADECIMENTOS
Encerrando esse encontro tão instigante, fica nosso mais sincero agradecimento à Dra. Maria Eunice Ribeiro, cuja fala, marcada por conhecimento sólido, sensibilidade e compromisso ético, não apenas informa, mas mobiliza consciências. Sua capacidade de traduzir temas complexos com humanidade e visão de futuro reafirma seu papel como referência na área e deixa em todos nós a certeza de que os Cuidados Paliativos não são apenas uma prática de saúde, mas um exercício profundo de dignidade, compaixão e respeito à vida.
Postado em 10 de Fevereiro de 2026 por Rotary Club do Recife